Kelly Iara Barros Campos
27 de mai. de 2026, 05:21:16
O aroma é curto, mas no primeiro gole... salgou-me logo os lábios, mais do que os outros. Sinto um fundo estranho, quase bacteriano, como frutas a apodrecer — bananas velhas talvez? O petróleo da lamparina aparece, oleoso, com aquele cheiro de tinta de maquete. No meio, lembranças de azeitonas verdes e vinho branco, mas com um toque de vinagre branco bem acético. O final é longo, denso, quase como uma lama escura — dirty rum, mas limpa demais ao mesmo tempo. Tem umas notas de banana madura, tipo bolos de banana fermentados, e aquele vinho de banana de que se ouve falar. O madeiro da alambique lembra-me uma fogueira antiga. Engraçado, ao beber veio-me à cabeça aquela música do Sakamoto, o “Achilles Last Stand” — uma sensação samurai, sabe? E no fundo, como verniz de marcenaria, mas daquela loja fina, “Varnish & Varnish’s”. Um whisky sujo no sentido bom, com uma acidez que corta e um umami escondido.






