José Moreira
25 de mai. de 2026, 17:04:54
Meu deus, este whisky está mesmo cheio de personalidade. Logo ao cheirar, parece que entrei numa doca velha: cordame alcatroado, redes de pesca cheias de maresia, um fumo de caldeira que se agarra a tudo. Há uma onda salgada de azeitonas pretas, anchovas e aquele toque curado de carnes de caça, mesmo selvagem. Na prova é gordo, quase oleoso, com uma borracha de galocha e um lado medicinal imenso – emplastros, resina de pinheiro, fumo de turfa cheio de atitude. Depois vem uma coisa estranha e brilhante: molho mole meio picante, sementes de funcho, alcaçuz salgado e chocolate negro bem amargo. Tudo envolto numa secura de xerez e maçapão caro, com sal defumado e amêndoas torradas. O final é longo, com aquele umami denso de miso, borras de café e cascas de marisco queimadas na brasa. É desafiante, sim, mas equilibra a porrada toda com uma acidez de limão em salmoura e chás fumados ricos. Um Islay poderoso, profundamente alcatroado, que não pede desculpa a ninguém. 🥃🔥







