
Filipa Iris Almeida
27 de mai. de 2026, 02:50:50
Epá, desengavetei esta garrafa e fiquei logo a olhar para a cor — um bago escuro quase mogno, denso, que promete coisa séria.
Ao nariz, esperei algo mais doce mas surpresa: é muito mais jammie do que o aroma sugere. Aquele perfil seco de oloroso a sério, quase austero, tipo o velho armagnac do meu avô que ficava ali a apanhar pó.
No palato, o chocolate amargo entra em força e toma conta de tudo 🍫 A trufa fica dominante do início ao fim, com umas berberjenas assadas lá no fundo e uma pista de licor de laranja. Parece aquele Cynar que o meu tio bebia ao jantar — há um regresso de alcachofra que me apanha desprevenido.
A meio, aparece aquele creme de castanha em força, quarenta toneladas disso mesmo, com uma nota de molho de soja e uma pilha de tabaco temperado com cominho. Um bocado de cola de madeira aqui e ali, estranho mas interessante.
Lembra-me uns velhos Glenas que provei há uns anos — aquele carácter clássico de velho Glenrothes com um fundo terroso, quase basáltico. Uns cogumelos morels escondidos ali pelo meio e pimenta moída a dar um toque de luta.
O final é longo, cada vez mais seco, com o chocolate e as trufas a insistirem em ficar. Caixa de charutos cubanos aberta na mesa. Aquele oloroso autêquico de ossos secos 😮💨
Pouca mudança no perfil ao longo do tempo — o que entra, fica. Um whisky que não brinca, é um bocado lutador mesmo.