Constança Neves Branco
25 de mai. de 2026, 13:11:45
Abri a garrafa e veio logo aquele cheiro a bagas de zimbro, mas com um toque de verniz fresco que nem desgosto. No copo, o primeiro gole trouxe turfa húmida de jardim, quase terra molhada, e logo a seguir um fumo de carvão bem seco. A meio, parece que mordi um saco velho de nozes esquecidas, daquelas que já sabem a tempo — e isso, para mim, é amor, amor, amor. As nozes pecan tostadas aparecem devagar, com uma pimenta soberba que aquece o peito. Há uma compota esquisita, meio engraçada, que me lembra carne de ave pendurada, daquele jeito bem pendurado mesmo. Não é perfeito — tem defeitos — mas é supremamente divertido. O fundo sabe a ouro velho, com um terroso excepcional e um xerez muito vegetal que quase puxa a plástico queimado. Esse final vegetal, fumado e apimentado é tão estranho que me faz dizer: vive la différence. 🥃🌿






